terça-feira, 30 de março de 2010

Em noites sem estrelas

As luzes estavam apagadas, mas conseguia ver os traços, objetos e sombras negras misturadas ao restante do cenário não tão negro assim.
Sentou-se no chão, a poeira fez os olhos arderem, mas tentou mantê-los abertos, bem abertos até lacrimejarem. Sentiu molhar a face seca, e os filetes logo engrossaram. A poeira já havia feito sua parte, agora a água salgada descia por vontade própria.
Os ombros curvados, sentiam-se cansados demais para se aprumar.
E os olhos após limpos, começaram a ver melhor, ver tão bem que viram longe dali.
As visões, lembranças e sentimentos se abateram como um tapa em sua face, misturas de alegrias e tristezas. As têmporas começaram a latejar. Não conseguia se decidir em meio a tantas dúvidas.
O corpo amoleceu e resolveu deitar.
Não conseguia pensar, mas conseguia sentir.
E neste momento sentia peso, cansaço, dor.
E como não conseguia fazer mais nada em nenhum lugar, ficou por ali.
A única coisa agora era dormir.
Dormir em meio a folhas secas e espinhos, dentro daquela parte do refúgio lunático que era seu coração.

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