terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Na cama

Ele levantou e foi ao banheiro, ela ocupou o outro lado da cama, puxou o lençol para cobrir suas pernas. Na tv uma mulher gemia aos berros. Ela suspirou e sentiu como se tivesse comido chumbo. Acarinhava-se em ilusões inúteis cheias de possibilidades inexistentes com alguém vazio em ligações. Suspiro triste e resignado pela condição. Enfim, será que estaria fazendo o correto? Tornar-se gelo não era uma questão de escolha, era uma questão de treino, e ela ainda era novata.

Seu blog merece um brinde!

É com imensa alegria e humildade que informo que hoje recebi meu primeiro selo!!! Oba!
A indicação veio do talentoso João de Carvalho da Escrivaninha32.
Muuuuito obrigada, pessoa!


De acordo com as regras, devo indicar três blogs que creio que merecem aplausos.
Díficil escolher somente três hein! Mas lá vai:

Idéias Ocultas
Clone de Cone
Tyago´s Blog

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Supimpa

Caramba, não faço a mínima idéia de pq estou contente....
Porque me sinto bem, porque tenho mil possibilidades à minha frente, porque percebi que tenho inúmeros caminhos e que posso com todos eles. Muito bom mesmo isso!!!!!!!!!
Ah, bom dia, bom natal e bom tudo para todos! :D
Bju na bunda e até segunda.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Viciada

Em cada dia tento ver um novo começo
e um respirar diferente,
me convenço de dar um passo de cada vez,
não vou cair novamente.

Sou como um viciado,
o dia de ontem foi uma vitória - onde não vacilei
e o dia de hoje um desafio - onde não vou me deixar vencer.
Anárquica, como a viciada em que me tornei.

Uma dependente física, química e emocional
em sonhar que vou ter o que idealizo.
Dependente em um mundo nada doce,
Tão cruel em mostrar o que realizo.

A realidade ironiza com um ideal inexistente,
nos acalmando com aquela viciante, a fantasia.
Essa monstrinha de inescrupulosos desejos
guardados em caixinhas de sonhos de padaria.
...........................
Mas cada dia é um dia,
e hoje não vou me deixar vencer.

E sonhos são tão leves...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Pausa

E aos poucos e continuamente os pilares se deterioram. Tudo amarela e se esvai, o negro ocupa o espaço e aquele azedume preenche o que antes era sonho. Encurralada, tremo e me sinto desanimar. Aí me lembro "Adianta?". Sorrio "Não". Tomo meu café e leio meu livro. Atrás de mim um tufão volta a bagunçar meus sonhos, minha mente, meu coração, minha vida. Arrumo o cabelo e dou de ombros.

Up Now

O importante é caminhar. Buracos, barrancos, pedras e quedas fazem parte.
Mas o importante é caminhar, em frente. Sempre!
FELIZ!!! :):):):):)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Conversinha

- Acho que o azul é melhor.
- Não sei.
- Então levo o vermelho.
- Hum...
- O que?
- Não sei.
- Aiii! E vc sabe de alguma coisa?
- Ó... Eu sei que eu te amo.
- Ahhhh, se é assim...

Foram embora, se amancebar em casa.

Lúdico desassombro

Estavam sentados há quarentas minutos, calados, ela com a cabeça no ombro dele, ele com o dedo fazendo caracóis no cabelo dela.
- E agora?
Ela suspirou, se ergueu ereta, suas costas já começavam a doer.
- Você não sei, eu alguma coisa vou fazer. Aqui é que não dá mais.
Ele ergueu uma das sombrancelhas.
- Então é isso. Só vamos saber se tentarmos, afinal...
Colegas, amigos, irmãos de alma e coração, bagagem pesada e saco cheio, tinham inúmeras coisas em comum, e nas diferenças se completavam, ela atitude, ele calma.
- A gente cai ou a gente voa?
- Isso depende da gente, eu acho.
E sorrindo ela ergueu sua mão à ele. Estavam naquela ponte velha e lá embaixo, muito embaixo, podiam ver o rio. Ela piscou.
- Bóra?
Pularam. De mãos dadas numa queda constante. Deu tempo de olhar dentro dos olhos, sorriram e entrelaçaram os dedos.
Então, souberam... voaram!
Tão impossível, longe e alto, que conseguiram ir para bem perto de seus sonhos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Volúpia (De olhares...)

............Ela estava tomando café, lendo um livro qualquer, totalmente despercebida do mundo a sua volta. Era um final de tarde, o sol estava fraco, o clima frio, perfeito para relaxar um pouco e sempre que ela queria isso, ia naquela Creperia. Pode sentir uma onda quente vindo em sua direção, mas a frente, pela diagonal esquerda.
............Ele era alto, um rosto marcante por traços fortes, olhos miúdos, lábios finos numa boca grande cheia de dentes muito brancos. Não tinha nada de um tipo atlético, mas tinha um charme e uma magnitude que era impossível não notar, ele não disfarçava, olhava fixamente para Clara. Ela, sem jeito, se posicionou de melhor forma na cadeira, não queria parecer desleixada, tentou se concentrar no seu livro, olhou-o novamente de rabo de olho. Ele sorriu, um sorriso de canto de boca, e ergueu sua xícara para cumprimentá-la. Clara sentiu seu rosto corar, passou a mão pela nuca, mas, num sem querer proposital, ela o encarou, ele passou a mão pelas sombrancelhas, colocou os cotovelos na mesa e cruzou suas mãos para apoiar seu queixo, enquanto a olhava descaradamente. Ela sentiu um frio na barriga, que se transformou em calor e rapidamente se espalhou por todo seu corpo fazendo suas pernas abrirem ligeiramente. E ele continuava ali.
............Sem jeito ela pediu a conta e deixou o dinheiro na mesa mesmo, colocou apresadamente um pé após o outro para se afastar dali o mais rápido possível. Conseguiu enfim chegar ao apartamento, não sabe quantos minutos perdeu procurando a chave em sua organizada bolsa, estava muito nervosa não sabia dizer se era por estar tão perturbada ou por ter esquecido seu livro na mesa, culpa do "imbecil descarado", ela o xingou em pensamento.
............Colocou a chave na maçaneta e deu um empurrão naquela porta empenada, a qual ela queria mandar arrumar há semanas. Sentiu um puxão no seu quadril, que a fez voltar alguns centímetros para trás colando-a em outro corpo, um hálito quente se aproximou de sua nuca, "Isso é seu", ela se vira, era ele com o livro. Ela ergueu as mãos e tentou falar algo, mas ele a puxou para dentro do apartamento e não se deu ao trabalho de fechar a porta, sua preocupação era prensá-la na parede e afastar sua calcinha debaixo de sua saia curta. Clara se sentiu em êxtase, ao mesmo tempo não conseguia tirar a atenção da porta aberta, um medo de ser vista assim a invadiu, o que tornou tudo mais interessante.
............Não, sim, gemidos, rasgos, preenchimentos, suór, delírio. Uma deliciosa eternidade em alguns minutos. Recomposição. Com o rosto colado ao seu, ele sorriu, um sorriso inconfundível, "Tenha uma boa leitura".
............Quando ele saiu, ela com as pernas livres agora, reparou sua meia calça desfiada. Ergueu seu olhar para a porta que ela tinha que mandar arrumar logo. Fechou-a.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Os mundos de mim

Dentro de mim existem dois mundos,
mundos opostos dentro de uma coisa só.
Nunca há uma decisão sobre qual deles vai prevalecer.
Tenho meu carinho especial por um,
mas o outro - teimoso - insiste em permanecer por mais tempo,
eu ralho, mas ele diz que é tudo culpa da vida.
Ela manda e ele faz.

Dois grandes mundos opostos dentro de uma coisa só.
Me cansam, me tiram a força
e raras vezes me excita a grande agitação.
Tenho imensa raiva de um deles, ele me acaba,
mas é o mais presente em várias horas,
meu grande e chato companheiro.
Enquanto o outro - meu preferido - é relapso e ausente,
tão distante de tudo.

Dois mundos opostos,
sentidos de maneira inversa,
estão em briga - alheios a minha vontade -
em briga constante pelo domínio,
um domínio dentro de mim.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Último drink

............Uma dose de tequila, duas de absinto, suco de laranja e limão, muito gelo, misturou tudo. O último ingrediente, que daria todo diferencial, estava em sua mão. Carla olhava o vidro e apesar do frio interno, um rastro de dúvida esquentava sua barriga. Ou seria esperança?
............Estava sentada em sua cocha vermelha favorita, a qual ela estendeu de forma minuciosa sob o chão da sala. Ligou o dvd com um velho filme que já vira inúmeras vezes, mas que não se enjoava da estória. Era guerreira, sempre fora, seu jeito determinado e direto - apesar de as vezes ser confundido com insegurança e nervosismo, não entendia o porque - lhe renderam várias coisas boas, e más também. Não que tivesse feito alguma maldade para alguém, somente para ela mesma. Mas nas últimas semanas, especialmente naquele momento, estava se sentindo derrotada.
............Olhava o vidro e a vontade de engolir seu conteúdo sem a ajuda do drink era imensa, mas suas mãos não a obedeciam. Parou e pensou novamente em sua vida, como a fazer um balanço, tentou lembrar o que deixaria para trás, quem sentiria sua falta, o que seria feito sem ela, a resposta era nula, não conseguia lembrar da diferença ou importância que tinha. Largou o emprego, não tinha família e a última grande decepção ainda sangrava no peito.
............Abriu a tampa do vidro, sentiu um odor ardido, jogou lentamente sob o gelo, ergueu o copo colado ao nariz e observou como o líquido se misturava a bebida. Alguém bate na porta, o som do dvd estava muito alto, as batidas estavam muito fortes, já deviam estar batendo há algum tempo. Ela abriu, corpo de bombeiros, Carla estranhou tudo e logo ouviu uma explicação sob utilizarem sua janela para chegar mais próximos ao andar superior, o vizinho ameaçava pular. "Mas ele tem 13 anos", ela pensa. Neste momento um dos bombeiros a empurra e corre em direção a janela, a tempo dela se virar e ver um vulto, os outros dois também passam por ela e um deles derruba seu drink no chão.
............Gritos, choro, sirenes, se misturam aos passos apressados dos bombeiros saindo da sua sala, ela senta no sofá, olha sua cocha molhada, caminha em direção a janela e lá embaixo vê o pequeno corpo estendido. Os gritos de uma mulher parecem penetrar no seu estômago e dar nós. Ela olha para tela da tv e um casal está se beijando. Se sente zonza, coloca a cabeça entre os joelhos e respira apressado, na sua coxa sente seu coração bater descompassado.
............Segundos mudam tudo. Agradece o drink derramado.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Linhas & linhas

Enquanto escrevemos o livro da nossa vida, sem querer acabamos sendo protagonistas em capítulos de livros alheios.
Uma escrita com "quê" de psicografia, sem ser escrita a mão, feita com ações, olhares, falas, marcas, sorrisos ou lágrimas. Acabamos desenvolvendo uma parte na história (ou estória, vai saber?) de outros autores, as vezes sem ao menos saber disso. De tão concentrados em problemas, incompreensões e vontades, não notamos nada e de súbito esses dias ouvi um "Você foi um divisor de águas".
Eu?! É, eu. E nem notei.
Por um instante em meio a minha perdição, percebi de forma aliviada que podemos provocar transformações por aí.
Interessante, como quando vendo de forma expansiva tudo se entrelaça e mesmo com as "não importâncias" da vida, tudo caminha, pois o tempo não tem corda no relógio, ele é avante, sempre.
Interessante como participamos, passivamente ou ativamente. Interessante e assustador, já parou para pensar no que se fez? Nas suas ações, retribuições, vontades e dizeres... como seria um livro assim!
É...
Como é o seu personagem?

Coraco Quotidianu

Quebra, cola, remenda, esfola.
Coça, sara, aperta, pára.
Acelera, repete, incha, inverte.
Espreita, assusta, espera, estuda.
Teme, esfria, engana, agonia.
Triste, desconsola, murcha, isola.
Pensa, reabilita, nostalgia, aflita.
Bate, sente, recupera, mente.
Acredita, desfaz, começo, refaz...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Desespero, assim e ponto.

Perdidos em meio a um desespero,
Indolentemente melancólicos em vasta solidão.
Desespero. Desesperação. Desesperança!
Fazer perder a esperança.
(Ah, Esperança...)
Consideração do provavél para a realização de algo que se deseja.
Perder a confiança da probabilidade,
De algo, de alguém, de você...
E, é assim, ponto.
Infinitamente perdidos em meio a um desespero,
Desesperadamente esperançosos para se encontrar.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Desejo

Vive-se de desejos.
De querer mais, de ser mais, de estar mais.
Desejo de desejar,
Desejo de ser desajado,
Desejo de desfazer,
Desfazer tudo em pele, boca, braços e pernas...
Desejo pelo simples desejo,
de desejar o desejo de desfazer tudo, em você.

Inocente

............Camila pegou a taça de vinho e lentamente atravessou a sala, a água da banheira estava ideal. Acendeu algumas velas e ligou o mesmo blues de sempre, seus músculos relaxaram após o primeiro gole já submersa na água.
............Sempre tivera vontade de fazer isso, via nos filmes e invejava o momento. Agora lá estava ela, tranquila naquele grande quarto de hotel e no momento com tudo que sempre quiz. O vinho mais caro, o cigarro mais chique e a banheira mais aconchegante do melhor quarto. Pode parecer pouca coisa, mas para uma menina de nove anos tudo era intenso pois era a primeira vez.
............Aliás, primeiras vezes ultimamente viraram rotina na sua vida, foi através disso que chegou onde estava. Ela nunca fora a garota padrão, não gostava das conversas idiotas de suas colegas de colégio, brincadeiras não fazia parte de seu hábito, muito menos olhar os meninos da classe e ficar de risadinhas bobas, o professor de matemática era muito mais interessante, se ele quizesse ela perderia sua virgindade com ele durante o intervalo da aula, mas ela tinha certeza que ele ficaria em choque com esta idéia, então não tinha importância. O que ela gostava era de filmes franceses e sapatos caros, colecionava revistas de modas e recortes de jóias, a ambição já fazia parte dela desde sempre.
............Foi em um congresso que seu grupo de balé visitou que ela viu Humberto, um ricaço, boa pinta, que despertou sua atenção. Após o encerramento diário, Camila correu para o quarto e se arrumou da forma mais elegante possível - para uma garota da sua idade - e foi até ele, foi ela que o assediou e o convidou para algo, ele ficou surpreso e riu da sua atitude, ela não perdeu a pose e com uma sensualidade de mulher madura deu um beijo em Humberto.
............Bem, o resultado era que sua primeira vez - não somente esta, como em muitas outras coisas - havia lhe rendido uma vida muito boa, deixara sua família e inúteis amigos no passado e agora vivia sob a proteção de Humberto, uma vida que sempre sonhara em ter era o que ele proporcionara a ela, ele e secretamente seu sócio Carlos, que também caiu nos encantos de Camila.
............Ela sorriu levemente e mergulhou na banheira, quando se ergueu, olhou seu anel de brilhantes que reluzia como nunca em seus dedos longos e sua mão enrugada. Estranhou aquelas rugas, estranhou aquela velha mão...
............Levantou-se em um súbito e apalpando o rosto correu até o espelho que estava embaçado, com uma toalha tentou limpá-lo de forma apavorada e lá pode ver a Camila. Uma nova Camila mulher, com um velho estranho rosto...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Princesa

Parabéns, linda da mamãe!
Te amo inimaginavelmente!!!
Feliz aniversário!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Café da manhã

Ela entrou no quarto ainda enrolada na toalha, corpo todo molhado, tentava arrumar apressadamente o cabelo. Olhou pelo espelho.
- O que foi?
Ele ainda deitado na cama, observava suas coxas úmidas.
- Nada.
- Hum...
Virou-se, ainda tentava remediar suas mechas rebeldes. Sentiu ele se aproximar.
- Fica aqui comigo...
- Não posso, eu já marquei isso com a Cláudia faz muito tempo, ela vai ficar chateada se eu não for.
Ele franziu o cenho, detestava ouvir um não. Abraçou-a por trás, era uma sensação adorável o corpo frio dela próximo ao seu, o cheiro do xampu misturava-se com o perfume que ele tanto gostava. Roçou a barba naquele pescoço delicado.
- Deixa de ser malvada...
Ela riu, adorava quando ele fazia aquilo.
- Golpe baixo, senhor.
Agora foi ele que riu. Olhou-a com aqueles olhos pedintes e a boca de desejo, tirou aquela toalha tão incômoda e beijou sua barriga.
- Eu sempre sei te convencer.
- E eu sempre sei fazer você se esforçar para me convencer.
- Hum?
- É mais gostoso assim.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Matutança do véi Tião

............Sabe Seu Moço, esses dia tava eu aqui no meu canto matutando: purquê será que esse mundão é tão compricado?
............Eu penso e dispenso e quanto mais coloco essa cachola pra trabaiá, mas fico encabulado. Como é que se sussede esse tanto de barbaridade, esse tanto de enganação e esse tanto de coisa ruim? Num é pussível que esse povo não vê que tudo tá dos avesso! Por mó de que isso tudo é muito craro para o zóio de quem abre eles. E eu de cá fico só a imaginá, como seria essas coisa toda se todo mundo fosse mais bão lá dentro do coração.
............Esses dia eu ouvi um desabafo de um cumpadi chegado meu, e ele Seu Moço disse uma coisa muito da correta num sabe! Ele me falo, aqui bem na berada desse fogão de lenha enquanto nóis fumava um cachimbo dos bão, um desejo danado de bonito e... bão, sem mais trelelê, o cumpadi me disse que sonhô que tinha uma prosa com o Nosso Senhô e ele aproveitava pra pedi uma nuvi de amô pra moiá essa terrona toda e fazê brotá esperança nos coração tão seco daqui...
............Eita coisa bunita de se ouví! Purquê tamú sim Meu Deus, precisanu de uma molhança dessas puraqui. As coisa anda muito compricada viu! É tanto desalinho, tanta desavença, tanta mardade e tudo a troco de nada.
............Sei que num sô dotô, mas pensando cá com meus botão... num há de ser bem mais fácil se cada um pensasse na sua vida memo? Sem ficá reparando e invejando os otro, sem isso de conversa torta e zóio grande, acabá com esses provocação descabida!
............Sei não seu moço, mas eu aqui na minha vidinha humirde, acho que se tudo fosse assim, as coisas ia de se bem mais danada de boa! Quem sabe, arguém não concorda com o véio aqui né? Quem sabe, Seu Moço!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Na roda

E gira a roda,
E a roda gira...
E girando ela vai mudando a vida,
Tudo envolto numa tontura,
Mistura de extase, prazer, alívio, loucura...
Um momento em que parar não é possível,
Aquela hora em que o controle perde o nível,
Fecha os olhos, deixa a sensação percorrer,
Sabe-se lá se esse é o tempo para esquecer,
Acontece que nem sempre freios são feitos para usar,
Então, deixa... escapar, flutar, se entregar.

Vai que é essa a parada certa.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Vai entender

Contas a pagar, salário atrasado, pendências do passado, chefe, família, stress, malucos, arrogantes, passivos...
Tanta coisa a fazer, tanta coisa a resolver, tanta coisa a aturar...
Mas quando penso em você tudo fica bem...
Como pode?
Hoje nada estraga meu dia!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Petulante

E já faziam duas semanas que nada acontecia...
Rodolfo, estava lá, atolado de serviço, com as mesmas planilhas, as mesmas exigências e as mesmas reclamações. O relógio da parede que fazia tique-taque, as meias que estavam furadas, a mesma xícara de café já encardida. E ele, lá, na casa que era pequena, no quarto que era vazio...
Foi-se o tempo em que tentou, agora estava cansado demais para sonhar. Tudo era como devia estar. Este era o pensamento que ocorreu a duas semanas - não que antes disso algum fato extraordinário tivesse ocorrido - mas foi quando enfim resolveu decretar sua sentença de forma resignada.
Seria assim e pronto.
Porém, ela chegou...
E chegou de tão atrevida e inxerida que mudou tudo. A petulância propícia da moça em rasgar os papéis, em arrumar, em berrar... em beijar... Sim, ela mudou tudo.
Quem era ela???
Vai saber!
Quem entende a ironia do destino?!

Valor

O que vale...
Um sorriso porém sem alegria?
Uma alegria porém sem grito?
Um grito porém sem coragem?
Uma coragem porém sem verdade?
Uma verdade porém sem sentimento?
Um sentimento porém sem amor?
Um amor porém sem sinceridade?
Uma sinceridade porém sem decidação?
Uma dedicação porém sem vontade?
Uma vontade porém sem sorriso?
Do que será que vale...

Saldo negativo total.
(Não há valor em somente aparências, falsidade, covardia e desinteresse...)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Acúmulo

............E ela era assim, fechada. Pelo menos era o que todos diziam a respeito dela.
............Não gostava muito de aparecer, nem de falar, nem de se expressar, era sempre muito contida, quando falava era muito baixo, sorria o mínimo e nunca a viam nervosa, pois ela procurava ser discreta. Aliás, com tudo era assim, ela nunca ficava triste, ansiosa, magoada ou até alegre, ninguém sabia ao certo o porque de tamanha restrição, alguns diziam que ela realmente era uma rocha fria outros simplesmente que ela não queria demonstrar.
............Apesar de ser uma pessoa não muito sociável, esta era ela, afinal, cada um tinha suas escolhas. "Eu prefiro ter minhas coisas só para mim", era o que ela dizia.
............O fato é que, em uma manhã de sábado, ela acordou e a sua calça não passava pelas suas coxas, bem como sua blusa que custou abotar, e foi assim, da noite para o dia ela engordou 8 kg. E mesmo assim, não comentava nada com ninguém. Ninguém a via reclamar, se surpreender ou ao menos desabafar.
............Acontece que isso não parou, a cada semana ela ganhava mais e mais peso. E em um belo dia, quando não mais aguentava o peso em si, resolveu respirar mais fundo e tentar fazer isso sair, mas já era tarde demais...
............Ela simplesmente explodiu... bem ali, deitada no sofá da sala, cheia de coisas que guardava só para si.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Bis



...
Dia feliz, a gente sempre pede bis!
Mais um, mais um, mais um!!!!!!!!!!!!!!!!!
Hehehehehe....

Desligue e evolua

............Essa vida é cômica, cheia de leva e trás, já ouvi muitos desabafos e muitos conselhos. Últimamente faço análise de tudo de forma constante, através não só de fatos meus, mas também dos outros, pois aprendi que a gente aprende com as experiências dos outros, além de aprender também com situações que visualizamos. Aliás acho que é até por isso que me deu vontade de escrever sobre o assunto, pois essa semana já ouvi tanto desabafo com relação a isso e também vi cada situação... e olha que não foi a primeira vez, isso é constante. E apesar de toda essa constância, ainda me choco com as coisas, me choca a capacidade de superficialidade do ser humamo, me choca a falsidade e a enganação, me choca pessoas se envolverem por nada, me choca a mentira vã, me choca a falta de comprometimento, me choca a imaturidade, me chora provocações sem fundamentos.
............Mas não isso não pára por aí, pois o outro lado também me choca... isso, aquele lado onde as pessoas são sacaneadas. O que vou falar talvez não seja bem da forma que você pensou agora, mas talvez concorde com meu ponto de vista, bem, voltando ao assunto, logicamente concordo que existe muita gente escrota neste mundo, eu mesma já passei por cada mau pedaço que dá uma novela mexicana, sendo assim sou solidária com pessoas sacaneadas. Mas o que não suporto nessa situação é me deparar com aqueles tipos de pessoas que se fazem de cegas e tapadas, sabe? Acreditam em cada uma que eu fico de boca aberta, mas pensando de forma analítica, na verdade acho que fingem que acreditam, isso mesmo, pois a maioria das coisas são muito óbvias, daquelas de querer tapar o sol com a peneira, então creio que a pessoa finge que acredita e/ou aceita situações deploráveis, ou seja, tapada. Com o perdão da palava mas é isso mesmo, pois todo mundo está vendo e ela continua a fazer papel de boba e ela não só aceita isso como ainda conta vantagem de como tudo é lindo. Alguém me fala onde está o senso de ridículo para elas comprarem um pouquinho? Chega merecerem passar por esta situação...
............Então acabo me surpreendendo com os dois: quem sacaneia e quem se deixa sacanear (pois aceita isso). E não falo somente por mim, eu vejo isso acontecer tanto... pessoas falsas, mentirosas, e também pessoas sem atitude, bobas, que se deixam enganar, que fingem.
............Em falar em fingimento isso é uma coisa que muito me intriga. Não supooooorto de forma alguma, é quase físico, nem precisa ser amigo meu, aliás nem conhecido precisa ser, pode ser alguém que acabo de ver, se eu perceber sinal de fingimento meu estômago embrulha e praticamente começo a dar tremilique. E, infelizmente, vejo isso tanto! Aliás é o que eu mais ouço, pois encontramos isso em vários lugares.
............Isso mesmo, ou nunca pararam para reparar? São pessoas que fingem que gostam, que fingem interesse, que fingem dedicação, que fingem que trabalham bem, que fingem que são honestos, que fingem que acreditam em Deus, que fingem que tem um relacionamento perfeito, que fingem que são auto-confiantes, que fingem que são felizes (ou ao contrário, que são tristes), que fingem, que fingem, que fingem... Ai meu estômago!
............Sabe, sempre acabo sabendo de coisas e ouço relatos, isso me faz pensar como tudo é muito parecido, só mudam os caminhos, mas o final geralmente é o mesmo. Porque então não encontramos a solução?
............Será que não mesmo? Desculpem mas palmas para mim, pois ela existe: sinceridade e direcionamento. Será que dói ser transparente? Dói deixar de ser um personagem, deixar a máscara de lado? Dói ser direto no que se quer ou no que não se quer? Será que realmente dói deixar que os outros te vejam como você realmente é?
............É totalmente inconcebível fingir só para mostrar algo para os outros, fazer com que acreditem que você é perfeito, tem a casa perfeita, o trabalho perfeito, os amigos perfeitos, o amor perfeito. Primeiro porque isso desperta inveja sem freio, segundo porque a vida não é propaganda de margarina e terceiro porque quem é esperto não acredita. No final das contas você está bancando o palhacinho do circo que você mesmo armou.
............E não é impossível fazer disso tudo verdade, é só se desligar. Desligue-se da opinião alheia, da dependência emocional, de querer ser o centro das atenções ou o modelo perfeito. Faça sua vida acontecer, por você mesmo, procure melhorar sempre, mas por você. RESPEITE as pessoas a sua volta, elas tem sentimentos, você não deve invadir a vida alheia por nada. Devo falar de novo, RESPEITE as pessoas, não critique, não julgue, não se ache superior, lembre-se que se o fato não aconteceu com você com certeza é obrigação ouvir as duas versões e se ele aconteceu com você e foi realmente ruim, esqueça, amassar barro é atraso de vida. E faça isso tudo de forma sincera e transparente, não para aparecer, isso é insuportável e mesquinho.
............Desligue e evolua!

Era uma vez

Tem gente que gosta de conto da carochinha!
Seja de contar, seja de acreditar ou seja de fazer de personagem.
Eu também adooooro, sério mesmo,
Mas adoro lá no livro.
Porque se isso se torna nossa vida, aí complica...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Xérox

Copiando uma frase que vi:
"ME AMARROTA, PORQUE EU TÔ PASSADA!"

Repentinamente

Quero teu cheiro e quero teu gosto,
Quero ser seu travesseiro, quero ser teu encosto.
Pra que faço de dois mais dois, cinco?
Se o que eu quero chega assim, com tanto afinco.
Ah, deixa para lá essa confusão,
Na cabeça só tem lugar para recriminação!
Sinceramente o que eu quero é te ver,
Sem explicação, sem razão, sem nem querer.
Engraçado pois quando o encontrei, já não te quiz,
Sabia que a linha da confusão estava por um triz,
Totalmente ciente que não devia,
Fiz de tudo e de um tudo que certamente não evitaria...
Pois soube assim que seus lábios entrelaçaram os meus,
Você me abalaria, com esses encantos teus.
E precioso foi te conhecer naquele momento,
Primordial pela sinceridade natural, sem ressentimento.
E não importa nada mais,
Pois um especial instante vale demais.
Se de novo vai acontecer,
Isso nem importa, não quero nem saber.
E na verdade nem sei se quero ver essa mais dessa história,
Pois prefiro que fique assim... bonita e eterna na memória!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Pagamento

Sem paciência total!
Para balelinhas, egocêntricos, infantis, molecagem...
Antes pediria a Deus para ajudar a modificar,
Hoje como já sei a realidade, só peço serenidade para aturar e um lugar confortável lá no céu...
Porque é certeza, estou pagando todos os pecados!

Saldo Positivo

Se foi bom o niver da Fê? Bobaaaagem, foi óteeemo!

Porque, hein?

Porque a gente ouve tudo que quer ouvir,
Mas isso vem de algo totalmente inverso do idealizado?
Coisa complicada viu!
Ai ai ai...

domingo, 2 de novembro de 2008

Cinema

Já pensou o que aconteceria se meus olhos fossem daqueles projetores de filmes de cinema?
Pelo menos para mim alguns filmes seriam reprise.
Tem quem goste, não é?
Personagens constantes,
Histórias e situações tão parecidas...
Sabe aquela situação de estar vendo o filme,
Daqueles de mocinho e bandido,
Quando o bonitão está em perigo,
Aí você da cadeira quer gritar: Cuidado!
Pois você já sabe de toda aquela história.
Engraçado não é?
Como é interessante,
Como uma situação vista de outro ângulo é esclarecedora!
Pois quando você vê ali na tela todo um certo contexto,
Aí você pensa
"Ah, então era assim que acontecia"
É quando você bate na cabeça e fala para si "Hum, que burrice..."
Mas agradece, pois de qualquer forma, sempre há uma lição moral nisso.
Por isso volto a dizer:
Já pensou o que aconteceria se meus olhos fossem daqueles projetores de filmes de cinema...
O que todos achariam das coisas que eu vi?
............................................................
É, mas é só um pensamento. Pois o que eu vejo fica para meus olhos, o que escuto para meus ouvidos e as lições eu sempre atualizo. E acredito que é assim, a gente só aprende com nós mesmos, com os nossos tombos e as verdades que estão bem ali na nossa cara, mas a gente não quer ver. Igual ao mocinho do filme, que nem desconfia que o assassino é aquele, o mais óbvio.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Felicidades!

Parabéns Fê!
Adoro você, viu, mocinha e torço sempre por ti!
(Nos aguarde mais tarde, hehehehe....)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Coisas da vida

Sabe o que é bom?
Conquistar muito amigos,
Sorrir sempre, a beça, do nada, sem motivo,
Se apaixonar e fazer apaixonarem...
Sabe o que é muito bom?
Encontrar inesperadamente aquele amigo que você ama mas perdeu contato,
Uma festa surpresa naquele dia que você está carente,
Passar um dia inteiro trancado em casa curtindo seu amor,
Sair sem rumo e perceber que qualquer lugar será perfeito naquela hora...
Sabe o que é ótimo?
Que tudo isso seja de verdade.
Quando se tem amizade, porém daquelas sinceras e verdadeiras,
Quando se sorri, porém não só com a boca, mas com a alma,
Quando nos apaixonamos, mas sem esquecer do amor-próprio,
Quando no amor há amor e ainda mais: respeito, fidelidade, dedicação.

Ter um porto seguro e viver com confiança e tranquilidade é essencial.
Sempre.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Dança

Quem tá de fora da roda não sabe como é a ciranda.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

O homem do queixo grudado

............Era uma vez um homem que amava seu umbigo, desde o início sempre foi assim, ele vivia a olhar para seu umbigo, admirando-o. Com o passar do tempo de tanto estar nesta posição o corpo criou uma pele que fez seu queixo ficar grudado em seu peito, era como se tivesse nascido dessa maneira.
............Então ele nunca mais passou pelo constrangimento de encarar o mundo e as pessoas, enfim ele ficou do jeito que queria e quem quisesse fazer parte da sua vida tinha que se ajoelhar, pois ele nunca levantava a cabeça.
............E seus dias passaram a ser dessa forma, ele não olhava as pessoas nos olhos, não encarava o seu mundo, olhava somente para si e era servido sempre de joelhos. Esqueceu de tudo a sua volta, das pessoas em sua vida, das coisas que fizeram por ele, das suas responsabilidades e da importância alheia. Aliás, isso foi trocado, pois a importância era ele, o seu momento e tudo o que tinha vontade. O resto de antes era nada.
............Mas o homem era sempre insatisfeito, pois ele sofria da antiga e rara Síndrome do Mais. E por causa dessa doença ele nunca estava realizado, para ele sempre faltava algo e sempre tinham que fazer mais por ele. Do homem não podia se esperar nada, coitado, ele era muito ocupado, preocupando-se consigo mesmo, suas vontades e seu belo umbigo, pois ele enfim vivia para isso, não é mesmo? Era sua obrigação moral ter o umbigo mais belo de todos.
............Com o passar o tempo o homem do queixo grudado não percebeu, mas por escolher ser assim – "levemente" egocêntrico – ele perdeu muitas coisas. Até seu corpo se trasnformou, sua cabeça nunca mais se ergueu, algumas pessoas diziam que era por má vontade - já que achavam que a pele do queixo tinha incrível elasticidade -, outras afirmavam que isso não seria possível, ele olhou tanto para si, que ficou atrofiado dessa maneira, já raros tinham certeza que era culpa do peso de consciência e vergonha que ele carregava em sua nuca. Mas no final das contas, o certo era que talvez fosse um pouco de cada coisa.
............O homem vivia angustiado e se angustiava ainda mais por não saber o motivo de toda aquela angústia. Ele não conseguia compreender que deixou de lado os mais belos momentos do mundo, que não olhou para as pessoas que o amava, que não deu carinho a quem se dedicou a ele, que não deu atenção a pequenos inocentes que o admiravam, que não teve tempo de ajudar quem estava ao seu lado, que não notou e valorizou quem importava de verdade. Pois durante toda sua vida ele só olhou para si e para quem se ajoelhasse a ele, não retribuía quando eles se erguiam, nem ele sabia por que, se era porque não queria ou porque não conseguia.
............E os anos foram passando, e ele começou a notar que agora não conseguia mais manter por muito tempo um sentimento de verdade ao seu lado, ele vivia de ciclos que precisavam sempre de renovação, já que todos acabavam um dia se cansando de tanto ficar ajoelhados.
............Mas acontece que um dia o homem do queijo grudado percebeu que tudo se tornara vazio e percebeu que sentia falta do que não deu valor, e ficou com medo por ser tarde demais e sentiu um frio tão intenso por dentro como se algo estivesse errado. Antes mesmo de sua razão se dar conta do seu imenso pardieiro de besteiras, seu corpo reagiu, a pele que grudou seu queixo começou a diminuir apertando-o, sem deixar espaço, pois agora era ela que exigia mais, assim como ele próprio fez toda vida, e de tanto querer e pedir, foi se apertando até sugar todo ar.
............E para o arrependimento já era muito tarde, o homem do queixo grudado morreu sufocado olhando para seu belo umbigo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Amanhã é o fim do mundo

............É o fim do mundo! Amanhã! – gritava o jornaleiro da barraca.
............A paranóia dominava a vila, era o fim, o fim de tudo, o fim do mundo (deles), todos sabiam, mas ninguém esperava. A data já estava marcada, o horário agendado e mesmo assim a surpresa foi inevitável.
............Talvez porque todos pensavam que Ele estava de brincadeira, era só mais uma piada. Mas não, quando o céu se tornou verde com nuvens em tons lilás e a única coisa familiar era seu horizonte alaranjado, todos sabiam: ia mesmo acontecer. O aroma de rosas que dominava a praça local foi substituído por um nojento odor de piche novo, o sol não descia, e a noite certamente não iria chegar, o frescor do ar de toda vila foi substituído por um mormaço tão quente e mal cheiroso como um hálito de um cão velho.
............As crianças ficaram insolentes e os velhos cheios de razão e lucidez, os adultos por sua vez afloraram toda sua indiferença, afinal se era o fim não haveria nada o que fazer. Orgias, festas, brigas e risadas começaram a surgir aos poucos durante o dia, e já no final da tarde a zona estava fincada. Homens brigavam e se matavam para resolverem suas desavenças, mulheres sentavam nuas nas calçadas, adolescentes praticavam sexo em grupo no meio da praça, pois nenhuma daquelas moças queria morrer virgem e nenhum dos rapazes sem realizar todas as suas fantasias inimagináveis, nenhum filme de baixo escalão poderia visualizar aquela cena chocante que acontecia ao céu aberto em plena luz do dia. Na velha padaria, drogas eram consumidas pelos velhos e a única distribuidora de bebidas da cidade já estava sem estoque.
............Quanto mais a festança desenfreada aumentava, maior era o cheiro podre da vila. As plantas aos poucos foram murchando e em menos de uma hora não havia mais um tom verde por ali, e após murcharem, tornaram-se secas e se desmancharam no chão, e algo diferente ocorreu, o seco tornou-se líquido, formando um musgo viscoso de cor vinho, e este musgo descia pela alameda principal da cidade.
............Todas as casas estavam abertas, com sons no último volume, muitas delas totalmente quebradas, lojas açoitadas pelo vandalismo, inúmeras mulheres espancadas, vários maridos mortos, quase uma totalidade da vila estava bêbada e drogada, e a orgia que antes reunia somente os jovens, agora alcançara por completo os habitantes daquele lugar isolado do mundo. Todos estavam irreconhecíveis, entorpecidos pelo consumo desregrado, nus em pelo e se acasalando como animais no cio.
............Mas uma coisa havia sido esquecida, a insolência, na verdade no início todos consideravam a opinião e crítica das crianças uma insolência e ninguém via o que era certo. E naquela vila que ficava não se sabe onde, logo perto de não sei como, havia apenas sete crianças.
............E o nojo que as dominava fazia o musgo descer mais veloz pela alameda, e quanto mais a revolta penetrava por suas veias mais o musgo brilhava em sua cor vinho, e quando as lágrimas das sete banharam a virada do hoje para o amanhã, o fim se tornou início.
............Os corpos, casas e coisas foram banhados e derretidos por aquele fétido material. E o céu voltou a ser azul, e o amanhã virou hoje, e as crianças cresceram, e elas souberam que o podre sempre seria podre e estava predestinado a se tornar verdade. E enfim, a restauração se iniciou, desta vez, limpa e verdadeira.
............E foi tudo naquela cidade isolada do mundo, que ficava não se sabe onde, logo perto de não sei como, que sete crianças em seu sétimo ano de vida começaram um repovoamento que durou sete anos...
............Até o musgo voltar novamente.

Ai

A única coisa que consigo pensar é: Calooor.
Aff. Detesto!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Mão única

............O trânsito estava infernal dentro daquela mente, eram mil coisas indo e vindo. Já no coração tudo estava quieto, batia fraco, quase na sonoridade mudo-calado.
............Aquilo era impossível, inaceitável, praticamente um suplicio. Onde esconderam a cartilha? Alguém havia escrito um manual para se coordenar algo tão sério e complicado. Mas onde estava ele? Ou ao menos qualquer um? Algum manual de instruções, de bons modos, de boas-vindas, de boas-idas, de boas e bons ou da bondade ao menos?
............Da forma que estavam indo as coisas tudo ia virar um caos, daquele mais amarrotado e atrapalhado, todos estavam imigrando para a mente e deixando o restante em estado desértico, parecia uma via de mão única. O coração – desditoso - não se importava com mais nada, saia quem quisesse sair, mas para entrar... aí a coisa complicava, pois para entrar neste território em questão a revista era mais criteriosa que a alfândega americana. E enquanto isso na mente tudo fervilhava.
............Problemas buzinavam para a tristeza que deixou o seu veículo pifar no meio do caminho, lá atrás a pressa tinha batido na ansiedade e as duas estavam tentando se entender numa conversa sem fim, enquanto isso logo ao lado a raiva estapeava a si mesma com uma cólera incontrolável daquilo tudo. A preocupação passava no acostamento muito lentamente querendo saber se todos estavam bem, e colado nela vinha o peso de consciência, aproveitador como sempre. O cansaço estava tão exausto que nem queria saber da movimentação, fechou os vidros e quis tirar um cochilo, mas a insônia que reclamava aos quatro ventos não ia deixar acontecer aquilo fácil e para isso ela contava com o auxílio dos seus amigos pensamentos ruins, tão reclamões quanto ela.
............Lá na frente estavam reunidas a esperança, a fé, a serenidade, o equilíbrio, a solidariedade e o bom-senso, todos em busca de estabelecer uma ordem para o caos que se instaurara naquele lugar. Afinal, que mente agüentaria uma sobrecarga dessas?
............A primeira ação foi despachar logo a alegria para o coração a fim de causar uma movimentação por lá e, com certeza, assim conseguiriam desafogar um pouco aquela confusão. O próximo passo seria a análise geral de cada um daqueles transeuntes, verificação do histórico geral, de pontos negativos, além de análise psicológica.
............O trabalho seria árduo, porém altamente necessário. Estabelecer a ordem era essencial em qualquer conjunto, esteja ele onde estiver.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Soninho

Horário de verão, aff...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Toca Raul!

Olha, Raul é o cara. Só tem música boa, figura rara, muito doida, escreve bem.
Essa música é o que estou sentindo de cabo a rabo!
Totalmente show de bola, hehehe.
Não achei um vídeo legal com o Raul cantando, mas esse aí com o Gabriel tá ótimo.


Para ver a letra: http://letras.terra.com.br/raul-seixas/90872/
Para ouvir a música, com Raulzito: http://br.youtube.com/watch?v=RhM2YO6EVZI


terça-feira, 14 de outubro de 2008

A mim

A casa emite seu eco,
Vazio e profundo.
Vazio e profundo assim está o pensamento.
Em um passeio por esses corredores,
O frio começa pelos pés e vai até o peito,
No frio, o frio azulejo.
Aquele olhar dentro dos olhos era apenas um olhar
E o velho relógio atinge suas doze badaladas,
Som repentino que corta a madrugada,
Percorre as ruas e alcança você,
Mas não há nada para se dizer.
Sentada na cadeira da sala,
Respiração suspensa pelos desejos distantes,
Chata calma chata que é quebrada.
Passos a mim,
Cheiro, mãos, cabelos, lábios.
Dentro de mim,
Agora é o momento
E dentro de mim,
Menos vazio e mais profundo,
Tudo está em paz.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Festa no firmamento

............Todas as Estrelas irradiavam seu brilho mais ofuscante e, a dona da noite, a senhora Lua estava toda cheia e pomposa pela alegria do local.
............Os Astros, sempre belos, eram poucos e muito reservados, procuravam passar de forma discreta, apesar de sempre serem notados e deixarem suspiros comovidos entre os observadores. Mas haviam aquelas mais atiradinhas, e onde não havia? As cadentes! Ah, essas danadas, gostavam de exibir seu rastro magnífico e ouvir todos os secretos desejos, desejos mais íntimos, e entre olhares de esperanças elas iam embora com a promessa de realizá-los, embora soubessem que no final não seria assim. Mas sem corações quebrados, os finais felizes não seriam tão bem reconhecidos, não é mesmo?
............No infinito as coisas caminhavam da maneira mais delicada e magnânima de ser, tudo em seu misterioso engenho da mais perfeita função. Beleza, brilho, paz, um inexplicável som percorria o local. Talvez a voz dos anjos.
............E apesar da incrível festa, existiam aqueles que não gostavam da alegria alheia e sim, queriam ofuscar o brilho de qualquer maneira, não queria que outros olhos contemplassem a beleza daquele momento. Eram as carregadas que se aproximavam, as nuvens negras.
............A Lua, em seu esplendor, não permitiria que uma onda de gotas tristes estragasse sua noite e tratou de combinar com seu amigo vento uma brisa leve porém eficiente. Sorriram satisfeitos, na maioria das vezes uma delicadeza conseguia resolver uma terrível tempestade. E ela estava dona da razão, afinal era ela, a dona, a mais bela das belas, a Lua, tão adorada, tão linda, tão inspiradora e tão solitária. O mais perfeito dos perfeitos ou o mais desejado dos desejos às vezes era inatingível. Mas ela era ela, e a vida seria assim, porque ela pertencia ao céu e ele não era de ninguém.
............E enquanto ela bebia seu néctar e olhava para baixo, aqui embaixo existiam os que se embebedavam com a visão lá de cima, sem ao menos imaginar como lá é tão igual aqui. Tudo tão igual...

Vai saber

"Cada um sabe dos gostos que tem, suas esperas, suas curas, seus jardins"

Acrescentaria a essa música: Será que cada um sabe das escolhas que tem?
As vezes fico pensando nas prioridades da nossa vida, nas decepções que deixamos, nas expectativas quebradas, nas vezes que somos mesquinhos...
O pior é que isso tem consequências.
Pensamos nisso?
Ainda bem que existe o velho e bom amigo TEMPO.
Assim como ele cura, ele ensina também.
Espero.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Putz



E num só passo ir para outra galáxia...

Vibe positiva

Tenha você também!

Conclusão

Sabe do que mais? Cheguei a uma conclusão verdadeiríssima:
O mundo é um hospício, onde os normais são os malucos.
Certeza, minha gente!
Quero minha camisa de força na cor lilás, por favor!
Hehehehehe

Bom, muito bom

Amigo é um "tremdanadodebomsô"!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Caminhando, sempre

Olhar para o infinito azul me faz ver como sou grande dentro de mim mesma.

Certeza incerta

Olhe e faça antes que seja tarde.
Se importe, valorize, goste do que se tem,
Mesmo que o ter seja por 10 segundos...
Sinta como se nunca mais nada fosse igual,
Aprecie o momento, valorize o único.
Respeite quem se conhece, guarde quem não se vê...
Mostre quem é você de verdade.
Atenção no momento...
Ele dura muito, ele passa rápido, nunca se sabe.
O saber se concentra só em uma coisa,
No fim, que é a única certeza.

Recupere-se

Incrível a capacidade de dar importância a quem não se deve,
importância a quem finge, a quem engana, a quem só trata bem quando tem interesse.
Incrível a capacidade de confiar (de novo - só em quem não deveria -),
confiar que há respeito, que há consideração, que é diferente.
Incrível a capacidade de acreditar na mudança,
mudança do que nunca muda e que possivelmente nunca mudará.
Incrível a capacidade de valorizar (uma coisa que não é nada),
valorizar carinho armado, um momento que é falso, uma usurpação.

Amanhã talvez melhore, mas pode ser que não.
Amanhã é sempre amanhã depois de hoje e talvez nunca chegue de uma certa perspectiva.
Ou sim, pode ser que sim, faça ser que sim!

Aprenda sempre com os momentos difíceis,
Afinal, como diria o autor Rubem Alves: Ostra Feliz Não Faz Pérola.
Mas lembre-se: enriqueça, mas se recupere!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Para mim. Oba!

.....Hoje para minha surpresa muitíssimo agradável, um desses monstros do talento deixou uma poesia dedicada a mim! Ameeeeeeeei!
Segue:



(Professor Sílvio Brasil)

Essa poesia cai como uma luva em você, querida Lorena! Morena atual. Beijos do Brasil.

Morena
............
Abro os olhos envelhecidos de sentimentos novos
Um sorriso moreno me invade a lucidez
Chego mais perto e teu perfume fala por teus poros
Uma felicidade de inusitada nudez
............
Dos teus olhos o sorriso da alma expande
Por todo teu corpo que reluz felicidade
E por mais que te envie meu olhar humilde
Não perceberás o quanto do meu peito invade
............
Há de ser feliz de igual tamanho
O ser que te desfrute nos anéis de extremos laços
Para ter a augusta nobreza de não ser sonho
E se enredar profundamente em teus divinos abraços
............
Traga nesse sorriso brejeiro, morena!
A tua luminosidade que nos deixa desequilibrados
Para adornar nossa noite de docilidade serena
Com laços de carinhos na tela emoldurados.
............
(...../Sylvio Brasil)..........

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O povo!!!!

E não é que políticos da famosa história dos 13º, 14º e 15º salários foram eleitos?
Meu pooooooooooooooovo, como pode!!!!
Não dá pra acreditar na falta de memória.

Afff...

Naquela tardezinha

Ontem, final de tarde, vento de leve.
Você aqui, eu ali.
Tudo de bom, tudo de ótimo, tudo de você.
Seu cheiro, seu jeito, sua vontade.
Liberdade de querer bem e ser querida.
Então....
A Dona Noite misteriosa...
Um momento, um encanto ou um destino?
Adorável!

Bandeira branca

A única coisa que eu quero é paz, acima de tudo, acima de várias outras coisas.
Não tenho a intenção de provocar, disputar, competir, aparecer ou qualquer outra coisa do nível. É sério, não tenho o mínimo saco para isso, nunca tive e não tenho tendência nenhuma em ter. Corro atrás dos meus objetivos sim, mas quando se trata de joguinhos sou preguiçosa assumida - neste aspecto - além de achar isso tudo muito "Malhação" para mim.
............................
Penso que o que tem que ser, vai ser ou já é.
Se algo tem que vir para mim, vai vir, se tiver que ser reconhecida, vou ser e por aí vai, claro que não adianta cruzar os braços, tem que ir atrás, mas creio que entendem o que eu quero dizer.
Momentâneamente tenho o que eu quero e já me livrei de tudo que o me incomodava, portanto, não estou atrás de nada (leia-se nada que seja de outros ou que fira a moral de alguém).
Maktub, o que tiver que ser vai ser. Mais cedo ou mais tarde, independente de contrariedades minhas ou alheias. Não adianta stressar, se uma coisa boa ou ruim tem que acontecer, ela vai acontecer. E comigo, pelo menos o que não tem que ser, já foi resolvido. Estou assim: prática, o que não está bom é tchau e o que eu quero vou atrás.
............................
Na vida é assim em todos aspectos: profissional, familiar, amizade, etc. Isso cabe para tudo!
Enfim, gostaria de ser amiga de TODOS, daquelas de sentar no boteco e fofocar sobre a vida corrida.
Isso tudo é sincero e de coração!
............................
Uma músiquinha (religiosa) que adoro muito:
............................
"Te ofereço paz,
Te ofereço amor,
Te ofereço amizade,
Ouço tuas necessidades,
Vejo tua beleza,
Sinto os teus sentimentos,
Minha sabedoria flui de uma fonte superior,
E reconheço essa força em ti,
Trabalhemos juntos,
Trabalhemos juntos!"

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O jogo é

Sorria!
Contagie-se e saia contaminando a todos.
Momento muito bom! Te desejo em triplo o mesmo.
Semanas boas, dias bons e o futuros melhores ainda...
Amém!

O Ponto

Quando a liberdade está a um passo,
É a hora que você pára e se pergunta se realmente quer estar livre.
Você está preparado?
Você realmente quer sair do seu mundinho previsível e iludido?

Sua cabeça está leve, mas seus pés estão pesados,
Então você se lembra de tudo aquilo que já viveu,
Toda a ternura, todo o conforto e todo amor (esquece as mentiras).
Será, será que vale a pena? Será, será que vale?

Viver uma bonita ilusão ou encarar a realidade,
Este é seu impasse.
E quanto mais você pensa, mais passos você dá para trás.
Pare já, deixe disso, siga em frente!

Eu sei, e como sei, isso não é nada fácil.
Mas quem disse que seria? A decisão agora depende de você.
Você está preparado?
Você realmente quer sair do seu mundinho previsível e iludido?

Essa é sua vida, essa é nossa vida,
O ponto final ou de partida, onde todos chegamos um dia.

Diferença

Sorrisos e olhares, conversas agradáveis, o resto era previsível... Nem tanto.
O que era previsível foi de certa forma uma surpresa, pois o que era para ser uma simples reação física, passou a percorrer um caminho diferente do que deveria.
Um brilho, uma batida, um suspiro. Sensações e sentimentos agradáveis.
Talvez o momento em que o eterno seria agora havia chegado, talvez era a hora de se deixar confiar e encarar o que queria de verdade, talvez e só talvez chegou o certo.
Não sei se isso é para tanto, talvez não, com certeza não.
Afinal o que era agora estava bom e o certo nem sempre vem fácil, o desejo era não errar de novo.
A tranqüilidade predominava e a alegria era constante, pois todas estas decisões estava a pratos limpos e muito bem aceitas, mesmo não querendo-se admitir uma grande explosãozinha feliz.
E apesar de todos esses pré-avisos e pré-cuidados, uma coisa estava clara...
O sorriso era constante.
Mas seria ele definitivo? Acho que sim.
Esperemos.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sabor

Quando se alimenta do amargo ou do insosso, experimentar o doce é sempre mais doce.
Mais mágico, mais importante e mais especial...
É sempre mais valioso, muito, muito valioso.
O doce é mais doce...

:) :) :)
s2

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Desespero

............O padre no meio de seu sermão dizia como a vida era bela e como as boas ações eram importantes. Suzana estava contida, já não tinha forças para chorar.
............Todos estavam chocados com a morte súbita de Rogério, ele era saudável e uma pessoa muito centrada, ninguém queria aceitar o fato dele decidir parar por ali mesmo e ninguém queria perguntar para Suzana o que estava acontecendo nesses últimos tempos.
............O fato era que só Suzana sabia o porque do suicídio do seu marido, ou talvez, ela era a que a menos soubesse. A família e amigos tentavam consolá-la, mas ela parecia estar fora de sintonia, olhar distante, mãos geladas e nenhuma reação. “Ainda bem que não tivemos filhos”, uma das únicas falas que ouviu-se sair da boca dela.
............A noite passou rápida, isso devido aos calmantes que ela ingeriu. Assim que os primeiros raios de sol começaram iluminar a sala, ela abriu a persiana e resolveu tomar um café. Ligou a TV e ficou com a xícara parada na boca.
............“Assim não dá Suzana, não agüento mais essa sua paranóia! Eu não tenho outra, eu não tenho!”, a briga estava acalorada e Suzana com o celular de Rogério na mão berrava descontrolada “Você acha que eu sou idiota? Você vive com essas ligaçõezinhas misteriosas, amizades que eu não conheço direito, saídas súbitas e agora isso? Eu ouvi! E era uma mulher, ela desligou assim que atendi”. A discussão continuou tarde e noite adentro, ela muito nervosa, cheia de desconfiança e histórias mal explicadas, ele muito calmo e com todas as explicações imagináveis. O final era sempre o mesmo, ela após chorar o dia todo era consolada por ele que enfim a convencia de seu amor e que suas dúvidas eram sem fundamentos – apesar de totalmente óbvias -, eles se amavam e isso bastava.
............Bastava sim, até o dia após a última discussão. Suzana teve que sair cedo para resolver um imprevisto no trabalho, na volta encontrou Flávia uma amiga antiga e ficaram conversando durante um bom tempo. Flávia insistiu para a amiga ir a seu Café, conhecer enfim sua empresa, Suzana se encantou com o local, muito elegante e badalado. Mas entre uma risada e outra, para a surpresa de Suzana, eis que ela vê seu marido entrando com uma loira, ela não conseguia piscar. “Lá vai o Rogério, com uma nova biscate do lado”, comentou Flávia que sabia da vida da maioria de seus clientes freqüentes.
............De repente tudo fez sentido para Suzana, as ligações, as desculpas e o excesso de atenção e carinho em algumas ocasiões. Como ela havia sido burra a este ponto? Saiu do Café sem ao menos se despedir de Flávia. No prédio preferiu ir até seu apartamento no décimo terceiro andar pela escada, chorou o quanto pode esperando a volta de Rogério e imaginando como ele e a outra eram na cama.
............Ele chegou em casa relativamente cedo, falando que aproveitou um tempinho de folga para tomar uma cervejinha. Suzana o esperava com o jantar pronto, comeu friamente e encarar Rogério foi fácil naquele momento, mas fácil ainda foi empurrá-lo de surpresa pela janela e a feição dele ao cair foi um prazer incalculável para Suzana.
............Tudo foi resolvido, tudo, com um prazer incalculável.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Faça

E se for sim? Não importa.
E se for não? Importa menos ainda.
A importância está em ir...

Um, dois, três e relaxe

Paz, pessoas.
Relax!

Por detrás da máscara

............A maioria das pessoas gostam de mostrar o que não são, que são felizes, que têm dinheiro, que são bonitas, que têm o amor perfeito, que são gostosas e por aí vai. Essas pessoas, na minha opinião, se dividem em três categorias: as arrogantes, as iludidas e as “projetistas”.
............As arrogantes são isso por si só e não adianta ninguém querer consertar isso, pois tentar ajustar alguém arrogante é um trabalho quase impossível e que exige muita paciência. As projetistas são aquelas hiper-positivas, adeptas do poder da atração, acreditam que se falando ou pensando algo isso vai acontecer, é legalzinho isso e tem uma imensa diferença com a arrogância e a ilusão, pois as projetistas simplesmente traçam algo que querem alcançar e focam nisso.
............Eu tenho realmente pena é das iludidas. Essas acham realmente que são felizes e na realidade vivem muito mal. Pode soar estranho, mas é só reparar. Não digo as pessoas felizes de verdade, pois essas não precisam fazer alarde, pois a gente vê a felicidade real nelas, falo das pessoas que contam vantagem sob outras, ou que se acham demais, ou que falam demais que como seu mundo é perfeito e como sua vida em certo aspecto é maravilhosa. Isso tem explicação: elas não são felizes, são inseguras. Isso mesmo! Pessoas assim são as que mais falam que são felizes e que tem isso ou aquilo, exatamente porque precisam gritar isso, para elas mesmas acreditarem, já que estão muito longe disso. Se elas não são felizes de verdade, pelo menos os outros tem que pensar isso. Nesses casos sempre me lembro da música do Djavan “Sorrir, vai mentindo sua dor e ao notar que tu sorri, todo mundo irá supor que és feliz”.
............É aquela história, uma mentira muitas vezes repetida pode se tornar verdade. (Será?). E será que isso vale a pena? Falar que se tem ou que se é, simplesmente para formar opinião alheia?! Lembrem-se que junto a felicidade há muita inveja... buscar inveja por nada?! Sei não, hein....
.............Tsc, tsc... Várias facetas a se pensar, vários buracos a se cair...

................Para as felizes de verdade, meus parabéns! Para as outras só posso falar uma coisa: coitadas!

Já me ofereceram, em vários aspectos, viver numa falsa realidade, onde o superficial era perfeito, mas a realidade era podre, muitas mentiras, falsidades e hipocrisia. Porém não sou fraca e nem insegura para aceitar isso, mas há quem goste de ser enganado e se enganar, ainda contando vantagem ou dizendo como tudo é perfeito. Uma hora todo mundo aprende.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Pique-esconde

............Otacílio, Maria, Vidalgo e mais meia dúzia de crianças sempre brincavam na rua debaixo. Eram assim que chamavam o ponto de encontro, aquela viela esquecida: rua debaixo.
............O mais velho da turma era Vidalgo com oito anos de idade, o restante tinha entre 6 e 7 anos. Todos eram muito unidos e conheciam bem a vida de cada, se auxiliando em todos os problemas.
............Quem estava na contagem do pique era Marcelo. Como sempre Otacílio, Maria e Vidalgo correram disparados na frente de todos, Vidalgo sorria e olhava para o pique querendo certificar-se de que Marcelo não estava trapaceando, quando deu por si, Maria e Otacílio já não estava mais ao seu lado. Ele suspirou emburrado, por ser deixado para trás. Pulou o muro e entrou silenciosamente na casa abandonada ainda a tempo de ver os lábios de Maria e Otacílio unidos um ao outro.
............Ele não teve nenhuma reação a não ser ficar parado observando. "Vidalgo! Olha só, o Otacílio me chamou para namorar!" dizia Maria alegre. Vidalgo sentiu uma onda de ciúmes imenso invadi-lo por completo, como pode, como Maria pode fazer isso com ele, como seria agora? Otacílio era seu melhor amigo. Otacílio era tudo para ele. Otacílio era dele.
............Aquele dia o pique-esconde não teve fim, pois ninguém conseguiu achar Vidalgo. Ninguém nunca mais conseguiu achar Vidalgo.

Febre

É calor, inquietação, irritação...
É muito trabalho, é falta de opção, é muuuita opção, é falta de grana, é gente inxerida ou mulher enlouquecida, é homem errado enchendo a paciência e é homem certo que não enche...
É TPM, é stress...

É a vontade de ser mais e não caber aqui dentro!

Quer saber?
Tem hora que dá vontade de gritar: Ah, vá pra puta que pariu!!!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

:)

Sabe?
Tem hora que não é muito bom analisar, pensar, planejar...
Chances de dar errado são grandes e aí a frustação será maior.
Curta o momento!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Na casa da Velha

............E quem disse que vida boa é essa igual propaganda de margarina onde aparece a família feliz? Cada um tem sua forma de ser, aceite isso. Quem me ensinou essa lição foi uma senhora, uma velha muito peculiar. Ora, mal cheguei e já comecei a falar pelos cotovelos sem ao menos me apresentar, desculpe-me, sou Jorge.
............Nesta mesma data, há três anos atrás, conheci uma velha, isso mesmo, não consigo usar outra expressão, ela era uma pessoa ranzinza e recalcada que cheirava como bolor de roupa úmida guardada. Não me recordo o nome dela, porém isso não tem a mínima importância, então vou tratá-la como Velha. Voltando ao que importa, encontrei pela primeira vez com a Velha num dia em que estava voltando do trabalho, ela estava sentada na praça, sozinha, murmurando coisas com o nada, quase bati o carro distraído, ela tinha fama de abilolada na região, eu rezava para nunca acabar daquele jeito.
............Mas o que de fato interessa aconteceu depois, num domingo de manhã, quando a vi sentada na escada em frente a sua casa, gentilmente me aproximei e perguntei se ela necessitava de algo, o olhar que ela ergueu foi vazio, como se estivesse vendo através de mim, em algum momento me perguntei se a idade estava castigando a sua visão, então ela respirou fundo e disse sussurrando “Quando existem pendências, elas devem ser resolvidas”, perguntei se ela queria ajuda para entrar, ela com o olho fixo no gramado da casa lateral respondeu com uma firmeza abrupta “Ainda não é o momento certo para isso”, voltou a me encarar “Mas se você quiser pode ir entrando, já está muito atrasado”, eu sorri e ao mesmo tempo senti uma pena imensa daquela senhora, ela não me conhecia e com toda certeza já não tinha muita noção de realidade. “Tenho sim”, ela respondeu se levantando. Senti um calafrio na nuca. “Agora já posso entrar, mas você perdeu sua vez por hoje, volte depois, você é aguardado”, se virou numa agilidade estranha para sua idade e entrou batendo a porta quase no meu nariz.
............Passei o resto do dia sobressaltado, por causa daquela velha excêntrica. Mas não perdi muito tempo com isso, até porque estava preocupado com outras coisas, fui expulso da faculdade por invadir o sistema central, minhas contas estavam vencendo, tinha pedido demissão durante uma briga com meu chefe, minha melhor amiga era minha grande paixão desde a infância e agora estava namorando meu irmão, não suportava ficar perto da minha mãe porque ela vivia inventando doenças. Naquele momento eu só queria abandonar tudo, não via solução, planejava ir para o Exterior. Ah, esqueci de falar do meu pai, ele era um imbecil, que vivia bebendo e traindo minha mãe, quando éramos criança nos surrava até quase desmaiarmos, mês passado ele não deu mais as caras aqui em casa e em lugar nenhum, a opinião geral era que ele havia fugido com alguma vadia, mas eu sabia que não, sabia que ele não estava mais vivo e tinha essa certeza porque fui eu que dei o tiro na testa dele e depois me livrei daquele corpo gordo em um matagal. Como podem ver, minha vida é um pouco bagunçada.
............Pelo menos em uma coisa aquela velha tinha razão, temos que resolver nossas pendências e eu tinha uma comigo mesmo, tinha que viver realmente. Na outra semana estava com as malas prontas e muito ânimo, fui ao mercado comprar umas últimas coisas e passei pela casa da Velha, parei e reparei que ela me olhava por uma fenda da porta que não estava totalmente fechada, subi o lance de escadas e empurrei a porta.
............A casa era muito abafada e sem iluminação, tinha um cheiro de bolor assim como a Velha, entrei na casa, procurando-a. “Você tem que brincar”, mas não era a voz da Velha, olhei para trás e vi uma menina que deveria ter uns quatro anos no máximo, estava com um vestido tão alvo que em meio aquele lugar escroto, ela parecia surreal, as duas tranças estavam presas por laços de cetim igualmente brancos, a confusão estava estampada em meu rosto, “Como disse, é melhor você apressar seus passos meu jovem e para resolver as coisas você tem que brincar”, arregalei os olhos mediante a eloqüência daquela criança. “Não adianta fugir, não adianta esconder, não adianta discorrer, você só vai se perder” ela começou a cantarolar essa frase, girando o corpo nos calcanhares. Encostei-me na parede e olhei para lateral, para meu alívio a porta estava muito próxima, andei três passos e alcancei a maçaneta, uma pequena mão fria pousou sobre a minha e cravou suas unhas. “Você só sabe reclamar e correr, maricas!!!”, não que fosse fazer isso, mas minha vontade era de chorar, foi como ouvir meu pai, ela soltou minha mão e caminhou em direção a sala, olhou para mim com o olhar mais doce possível “Pela última vez, brinca comigo?”
............Não senti quando meus pés foram em direção a ela, demos as mãos e ela me conduziu para a escada. “Fique calmo, tudo vai resolver, agora você tem que escolher, quer subir ou descer?”, senti que aquela pergunta tinha uma importância muito maior que a própria direção a ser tomada, olhava em volta para buscar algo que me ajudasse, me ouvi dizer “Quero ficar onde estou”, ela se iluminou e deu um pulo de alegria “Ótima escolha meu jovem, ótima escolha! Vamos resolver aqui mesmo, sem precisar de muitas mudanças”. Fomos para a sala de estar, havia um baú retangular e muito grande, “Não é um baú”, disse a pequena, reparei em um conjunto de alças laterais e uma cruz acima, no centro. A menina abriu e vi a Velha deitada com as mãos sobre o peito, reprimi um grito, “A Velha gosta de descansar aqui”, mas o rosto dela estava pálido e os lábios arroxeados, de repente ela se levantou “Ora, até que enfim!” disse para mim sorrindo, depois virou para a garota “Pegue logo o que tem que pegar e me deixa sossegada”, a garota retirou uma caixa debaixo dos pés da velha e fechou o caixão ou o que quer que fosse aquilo.
............Minhas pernas estavam bambas e eu mal conseguia respirar, a menina foi em direção à cozinha, a segui, pois queria um copo d´agua. Na mesa estavam sentadas mais quatro crianças, mais três meninas da mesma idade que a menina da Velha e um menino que na verdade era um bebê de mais ou menos um ano. A menina retirou alguns bonecos da caixa e os colocou sobre a mesa, foi até ao fogão, puxou uma cadeira e subindo nela, destampou o pequeno caldeirão no qual borbulhava um líquido alaranjado. “Então agora vamos resolver tudo”, eu me sentei, as outras crianças tomavam leite e comiam biscoitos, eretas e com o olhar fixo no horizonte. Eu não sei por que, mas comecei a falar sem parar, não conseguia ficar em silêncio, contei do meu emprego, da minha mãe, meu irmão, minha amiga, enfim, tudo. “Esqueceu do seu pai”, a menina disse, já sentada no meu colo.
............Senti lágrimas descendo do meu rosto, era a primeira vez que chorava por aquilo, “Eu sei, eu sei, foi tudo muito ruim não foi, meu rapaz? Mas fique calmo”. Ela desceu, juntou os bonecos, colocou-os no braço e os ninou, dois deles foram jogados dentro da panela, um ela colocou para dormir em uma cama fofa de farinha de rosca, ela pegou um punhal dentro da gaveta e cortou os cabelos do outro boneco, retirou as fitas de cetim das suas tranças e então reuniu novamente todos os bonecos. Ela os juntos e amarrou com uma das fitas, a outra ela amarrou no punhal, olhou para todos e deu aquela espécie de ramos bonecos para o bebê brincar. “Você quer logo sua felicidade?” ela perguntou para mim, fiz que sim com a cabeça, ela sorriu e disse “Tudo bem”, seu olhar mudou para algo maquialévico, então ergueu o punhal, levantei da cadeira num sobressalto e antes mesmo que pudesse fazer algo, a menina passou o punhal pelo pescoço do bebê, fazendo com que uma larga camada de líquido vermelho caísse sobre os bonecos.
............Caí de joelhos, em meio a um berro e com as mãos tapando meus olhos. “O que é isso Jorge?! Está maluco?”, retirei a mão do rosto e pude ver minha amiga vestida de noiva na minha frente, olhei e reconheci uma igreja, minha mãe estava do meu lado segurando meu braço e entre os convidados havia um murmurinho. Meu pai e meu irmão estavam na primeira fila tentando segurar o riso. Estava muito zonzo, pedi desculpas e a cerimônia do meu casamento reiniciou, mas meu pensamento estava muito longe dali, não conseguia entender. Escutei o padre me fazendo uma pergunta e minha noiva me olhava alegre, mas não conseguia responder, então ouvi a voz infantil de uma das damas “Você quis a felicidade e agora não sabe dizer sim para ela?”, olhei para trás, era a menina da Velha, ela sorriu “E então? Você quer logo sua felicidade?”, respirei fundo “Sim”.
............A igreja se encheu em aplausos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Querer

............Maria sonhava em ser garçonete, não é um sonho comum e nem descente, mas era o que Maria gostaria. Clodoval era um brilhante aluno e tinha planos em ser um grande advogado. Os dois começaram a namorar no final do colegial e planejavam se casar após a faculdade.
............As amigas de Maria formavam um grupo bastante mesclado. Regina fazia curso de modelo, Márcia era poetisa, Cláudia bancava a esotérica e Marcela tinha uma grande paixão por salvar vidas. Clodoval só tinha um amigo, Rômulo, que tinha talento em ser bêbado. Alguns anos se passaram e cada qual manteve o objetivo de seguir seu plano, porém os comentários eram de que as coisas não saíram da forma exata de que cada um gostaria.
............Maria por pressão da família fez faculdade, além disso, descobriu-se lésbica e agora era uma das promotoras mais famosas da região. Clodoval casou-se com Cláudia e atualmente se recuperou do alcoolismo, dependendo da ajuda da sua esposa que enfim tornara-se pesquisadora e cientista, uma pessoa fria e cética. Regina era dona de uma lanchonete de quinta categoria e estava 20 quilos mais gorda, tinha um certo orgulho disso pois dizia ser resultado da qualidade de sua comida. Enquanto Márcia virou vereadora da cidade e não queria saber de romances. Rômulo era viúvo, de Marcela que se suicidou - motivos ainda escusos –, e agora era dono de um grande posto de gasolina da região.
............Nenhum deles manteve algum contato com o outro, fora os relacionamentos amorosos. Não tinham nada mais em comum, a não ser é claro o psicólogo, para qual todos eram unânimes em dizer sobre como suas vidas eram vazias e inúteis.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

De porcelana

............O departamento era gigantesco, haviam bonitas e variadas opções, tudo do mais rústico ao mais moderno, falo aqui da loja de brinquedos da pitoresca Vila Gardênia. Apesar de pitoresca aquela loja era invejável aos olhos dos donos das monstruosas lojas de famosas metrópoles, isso tudo por que aquela loja não era uma loja qualquer.
............Um ar de mistério aliado a sensação de terra molhada e ao cheiro de pão fresco eram somente uma parte responsável por causar aquela percepção aconchegante dentro daquela loja. A Vila Gardênia também tinha um leve charme e seu comércio principal concentrava-se na praça, as lojas, o posto, a sorveteria, a floricultura, a padaria, entre outros. A loja de brinquedos ficava uma rua abaixo da praça e todos os odores que circulavam ali próximos invadiam o recinto logo pela manhã, tenho a impressão que, de forma proposital.
............Naquele mundo dentro de outro mundo, havia uma ala responsável pelas bonecas. E na quarta prateleira, contando-se da esquerda para direita se acharia na sexta posição a boneca de porcelana. César, o dono da loja, acreditava que cada brinquedo tinha que ter o dono correto e por isso estabeleceu a política de devolução em sua loja, a qual valia independente do dia de aquisição, o comprador poderia devolver a qualquer momento que desejasse. César era um dos poucos homens que ainda entendiam o valor do respeito e de se tratar bem algo que adquirimos por nossa escolha, tinha horror de imaginar um brinquedo sendo ignorado, substituído e jogado em uma caixa velha qualquer, como disse, ele acreditava que brinquedos tinham uma magia e cada um possuía um dono certo, por isso estabeleceu a política da devolução livre, se sentia aliviado assim.
............A boneca de porcelana era bela, como poucas, os detalhes, a riqueza e a sua graça ganhavam de muitas barbies modernas, mas eram raros os que viam a importância disso, afinal a boneca era bela, porém um tanto quanto fora de seu tempo. César até que tentou adequá-la mudando suas roupas, seu cabelo, seu perfume e até sua posição na loja, colocou-a na vitrine principal, mas um tempo depois descobriu que aquilo não combinava em nada com a essência da boneca de porcelana.
............A pequena já havia passado por vários donos, todos completamente encantados ao primeiro encontro e com olhos brilhantes sempre faziam as mesmas promessas bonitas a César, de cuidar bem e valorizar o que estavam levando para sua vida. Mas alguns dias, semanas ou meses depois a boneca de porcelana acabava voltando, sempre com algo desconcertado, um pedaço quebrado ou algo bem lá dentro despedaçado. Uma vez, a boneca de porcelana permaneceu por alguns anos com o mesmo dono e César enfim sentiu-se feliz por ela ter encontrado seu lugar. Mas no dia que ele viu o comprador entrar pela porta da loja seu estômago esfriou, nunca havia visto a boneca de porcelana tão maltratada. Foi muito, muito difícil recuperá-la, mas o tempo e a dedicação fazem milagres e a boneca de porcelana voltou a ser linda apesar de nunca mais ser a mesma, estava mais susceptível e parecia que sua porcelana tornara-se uma mais fria. César concluiu que talvez fosse um mecanismo de defesa daquele interessante material, mas preocupava-se, pois ela estava mais sensível, daquilo ele tinha certeza.
............Alguns outros compradores ficaram com a boneca de porcelana e César fazia o máximo para que ela os agradasse, colocando-a a mercê do gosto ou jeito do mesmo. Mas ela sempre voltava e a cada retorno parecia que o brilho daqueles olhos pintados estava ficando embaçado, ele sentiu seu coração doer e foi quando decidiu deixá-la mais reservada, de certa forma um pouco escondida, lá naquela prateleira no fundo, naquela posição. Pensou que assim só quem realmente procurasse algo especial teria empenho o bastante para achá-la e assim se apaixonaria verdadeiramente por ela, entendendo o valor de encontrar algo que se procura por muito tempo.
............Afinal, tudo é da forma que tem que ser, todos tem seu lugar e companheiros certos e como sempre o encontro acabará acontecendo da forma mais inesperada possível. Assim César espera, assim eu espero e assim a boneca de porcelana espera, ela mais do que ninguém.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Eu, um pouquinho

...........Quando ouvia que a gente amadurece com os tombos eu entendia, mas não absorvia. Mas hoje sei exatamente o que é isso.
............Aprendi que uma mesma história tem sempre duas versões, onde você é vilão ou mocinho, só depende de quem a conta. Na minha eu sou sempre a heroína, mas em algumas outras versões sou a megera. Talvez as duas estejam erradas, ou não, as duas estejam certas, todas as pessoas são um pouco de cada coisa. Quem vai dizer o contrário?
............Sou bem jovem, mas já passei por tanta coisa que vários amigos falam que dá para escrever um livro, e dá mesmo. Ainda bem, não posso dizer que minha vida é monótona, isso nunca. Já sorri, já chorei e já não senti nada, sinceramente não sentir nada é o pior estado. Alegria nem preciso comentar, a tristeza é ruim sim, mas ela é a maior professora de todas, com certeza
.............Aprendi muito com meus tombos, ilusões, enganações e decepções, mas também aprendi demais quando vi minha capacidade em ser má, em fazer sofrer, em vingar. Não que isso seja o certo ou o melhor caminho, só digo que aprendi assim, pois foi passando por isso que soube dar muito valor aos meus momentos alegres, as pessoas e principalmente a mim mesma, aprendi a me amar e ter respeito por mim.
............Hoje já sei certos caminhos, certas encrencas e o que mais me agrada: sou mais serena e sensata, a ansiedade já não me domina tanto e a segurança ocupa um lugar muito maior. Não tenho medo de dizer e fazer, sempre fui bem-humorada e procuro ser a cada dia mais, bem-humorada e educada, isso é bom para mim e bom para os outros, assim todos ficam bem.
............Tenho muita estrada pela frente e muitos sonhos não realizados, mas tenho calma suficiente para saber esperar e atrevimento de sobra para ir atrás do que quero, em qualquer aspecto. A decepção faz parte da vida, mas a submissão e o conformismo não, isso é fato para mim. E mais do que tudo: sorrir sempre - não para mostrar para os outros que se é feliz, mas porque está se sentindo assim – isso é fundamental.
............Hoje é totalmente diferente do que foi ontem, se sou mais feliz ou não, não é bem a questão. As situações sempre são outras, mas quando relembro agradeço por estar nesse ponto que estou.
............Sim, estou melhor, muito melhor, pois sou uma pessoa melhor agora, procuro não me arrepender de nada e nem sentir raiva de outras pessoas, porque esses sentimentos de arrependimento e ódio vão nos corroendo aos poucos. O que sei é que aprendi o perdão e a não cometer os mesmos erros, não magoar e fazer sofrer, bem como não me magoar e não me permitir sofrer.
............É a vida! E há quem diga que ela dá voltas, eu acredito na teoria da montanha russa, altos e baixos, às vezes passando pelos mesmos pontos. Esqueça os baixos, aproveite os altos e se algo tende a se repetir é porque tem algum motivo (não é mesmo?).
............Apenas, viva!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Paladar

Ultimamente as coisas andam sem gosto.
Sem sal,
Sem tempero,
Sem graça,
Sem gosto...
Em tudo.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O normal

............A janela do quarto estava semi-aberta e o ar quente e seco entrava mansamente. Ela estava sentada na cama, vendo um programa qualquer na TV enquanto fumava seu último cigarro. “Vou parar com isso, esse é o último”, dizia sem muito crédito para si mesma. As contas estavam acumuladas, o seu telefone não tocava mais e agora estava desempregada, sentia-se entorpecida, mas pela primeira vez reparou que sua respiração era tranqüila, nunca reparara nisso ou talvez nunca tivesse sido assim.
............Lá fora o mundo continuava com sua rotina monstruosa. No seu apartamento o mofo nas paredes denunciava a infiltração, tudo estava como sempre foi, desprezível, lá dentro as mesmas coisas, os mesmos problemas e ela, sempre a mesma, sempre.
............Deu mais uma longa tragada, deitou na cama cobrindo seus olhos com as mãos, então percebeu que o canário do visinho parou seu canto, olhou pela janela e o semáforo da esquina estava verde, mas os carros não ultrapassavam. Olhou uma senhora que caminhava com seu cachorro, a bola de brincar estava suspensa no ar. Ela franziu a testa, resolveu descer, chamou o elevador e esperou prováveis cinco minutos, nada, resolveu ir pela escada, o prédio parecia estar vazio. Na rua tudo estava estático. O sorvete derretia na mão de um garoto, a sirene da ambulância soava muda, as garotas que brincavam de pular corda estavam com o mesmo sorriso petrificado.
............Ela concluiu que o que vivia lá dentro, escapou para fora. Sentou no capô do carro da viatura e enquanto as luzes vermelhas passavam por sua face, decidiu. Subiu os quinze cansativos lances de escada, tomou um banho gelado e fez um lanche rápido, colocou pequenas e essenciais coisas em uma mochila. Esvaziou guarda-roupa, armários, estante e colocou tudo no centro da sala, molhou o monte e mais algumas partes do apartamento com o tinner que restou da última reforma. Colocou a mochila nas costas, amarrou o tênis e acendeu mais um cigarro. “E se eu não quiser que seja o último?”. Jogou o fósforo acesso na sala.
............Enquanto as chamas engoliam o andar, as cinzas desciam no asfalto, algumas mulheres voltavam das compras, outras iam, crianças rodavam até ficarem tontas e riam na sua brincadeira sem fim, homens comentavam sobre o calor.
............Tudo tinha voltado ao normal e ela estava longe, muito longe dali.